segunda-feira, 31 de janeiro de 2011

Terezinha Rêgo: uma vida dedicada à fitoterapia

Anne Santos

Doutora em Botânica pela Universidade de São Paulo (USP) e especialista em Fitoterapia pela Universidade de Havana (Cuba), Terezinha Rego é uma das pioneiras na pesquisa de plantas com potencial terapêutico no país, ramo em que atua há quase 50 anos. Seu trabalho é reconhecido internacionalmente, como demonstram os prêmios que recebeu na Espanha, na Inglaterra e na China.

O interesse pelas plantas começou desde cedo. “Aos oito anos, fiquei intrigada ao perfurar um amendoim e notar que a semente liberava um líquido amarelado, que hoje sei tratar-se do óleo essencial. E decidi cultivar amendoins para observar seu ciclo de crescimento”, lembra.

O avô de Terezinha foi outro grande influenciador. “Ele tinha uma grande sensibilidade para os problemas sociais da nossa região. Então, ele pesquisava plantas para ajudar a população da pequena cidade de Cajapió, onde passávamos as férias, e que não dispunha de praticamente nenhum acesso ao sistema de saúde para se tratar. Eu tinha apenas um ano quando ele faleceu, mas cheguei a usar sua balança de plantas em meus estudos”.

Quando teve que escolher uma profissão, ela não pensou duas vezes: Farmácia. O curso foi concluído em 1957 passando a trabalhar, inicialmente, nas invasões e periferias de São Luís. Foi nesse período que nasceu a sua preocupação com as pessoas que vinham do interior acostumadas a tratar doenças com ervas e que na capital não encontravam as mesmas plantas.

Em 1960, ela se afasta desse trabalho e migra para São Paulo afim de fazer seu doutorado em Botânica Geral. Ao retornar, em 1965, a fitoterapeuta recomeçou em uma invasão chamada Padre Xavier e incentivava a comunidade a plantar ervas medicinais. “Quando eu voltei do doutorado, fiz também concurso para professora da UFMA e fui aprovada, passando a me dedicar totalmente à pesquisa”, completa Terezinha.

Botânica apaixonada

A fitoterapeuta pesquisa há mais de 45 anos a flora medicinal maranhense e vem dando ao longo desses anos contribuição inestimável ao estudo das plantas medicinais, inclusive muitas já sendo produzidas em hortas comunitárias para fabricação de medicamentos largamente utilizados na sociedade maranhense, especialmente nas comunidades quilombolas. A vida dedicada à medicina alternativa já rendeu dois livros: Fitogeografia das Plantas Medicinais no Maranhão e 50 Chás Medicinais da Flora do Maranhão.

Terezinha Rêgo é uma profissional com inúmeras homenagens e prêmios nacionais e internacionais, em razão dos seus grandes trabalhos e pesquisas científicas. Entre eles destaca-se a homenagem e reconhecimento que recebeu na Câmara de Comércio Brasil/China pelo envio de três medicamentos produzidos à base de ervas para o combate à pneumonia asiática na China.

Os remédios produzidos pela doutora Terezinha foram o xarope de urucum (Bixa orellana), indicado no tratamento da pneumonia e tuberculose; a tintura de assa-peixe (Vernoinia ruficoma), uma erva originária da Baixada Maranhense, própria para a amenização dos efeitos da asma, bronquite e efisema pulmonar; e a essência de cabacinha (Luffa operculata), empregada em casos de sinusite, renite e adenóide.

Após a eficácia comprovada de medicamentos fitoterápicos maranhenses na época dessa epidemia, a doutora Terezinha Rêgo já foi procurada também por pesquisadores do Sudeste e Sul do país, para que sejam iniciadas pesquisas visando o combate à Influenza A (H1N1), ou gripe suína, como é conhecida.

A pesquisadora ainda colaborou no Acre, município de Xapuri, com cursos para agentes de saúde; na Inglaterra, onde expôs suas experiências no Museu Botânico e já foi incluída até no livro “Quem é quem no mundo”.

Atualmente, a doutora presta atendimento no seu consultório no Campus da Universidade Federal do Maranhão (Ufma) e coordena o Programa de Fitoterapia da mesma universidade. Em São Luís, trabalha para as comunidades da Vila Padre Xavier, São Bernardo, Colégio Liceu Maranhense, Colégio Pequeno Príncipe, Colégio Gonçalves Dias, Casa da Família Rural da Maioba e Pirâmide. O seu trabalho estende-se, também, aos municípios de Alcântara, Cururupu, Cajapió, Governador Nunes Freire, Itapecuru, Lago da Pedra, Presidente Dutra e Timbiras.

A fitoterapeuta contribui, também, para assistência aos portadores de doenças sexualmente transmissíveis. Os portadores de DST’s utilizam 12 medicamentos fitoterápicos preparados pelo Programa e Fitoterapia. “Não é a cura da Aids, mas esses medicamentos, sem dúvida, trazem alívio às doenças invasoras”, concluiu Terezinha.

Mais informações: pelos telefones (98) 3301-8585/3301-8524 (Consultório da Dr. Terezinha Rêgo) e/ou e-mail: t.rego@elo.com.br.

A maioridade penal no Brasil deve ser reduzida?

A proposta de baixar para menos de dezoito anos, a idade que permite a aplicação de penas previstas no Código Penal é um assunto que divide opiniões.O Blog Miscelânea quer saber a sua opinião. Deixe o seu comentário.

segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Ilha Maravilha

Anne Santos

São Luís, velha catita, minha cidade bonita, debruçada sobre o Anil, podem julgar-te mendiga, descurosa rapariga, mas para mim, minha amiga, não há ninguém que consiga conter-me ou impedir que eu diga QUE ÉS A MELHOR DO BRASIL! O fragmento do poema Minha velha São Luís, de Fernando Viano, retrata bem os encantos e mistérios de São Luís.

O traçado de seus azulejos, o ladrilho de suas ruas, a alegria de seus festejos, a magia de seu folclore, a hospitalidade de sua gente fazem da Ilha Maravilha não ser apenas uma cidade. É uma pátria eminentemente histórica e de riquezas imensuráveis.

São Luís, a Upaon-Açu (Ilha Grande) dos Tupinambás, França Equinocial, Cidade do Senhor de La Ravardiere, Atenas Brasileira, Ilha do Amor, Jamaica Brasileira. São Luís, do Bumba-meu-boi, Tambor de crioula, Cacuriá, Reggae, Festa da Juçara. São Luís, dona de beleza singular conferida pelos seus sobradões de azulejos com soleiras de cantaria, beirais de faiança e sacadas de ferro. São Luís, lugar onde o passado se faz presente, conservado nas praças, igrejas, fontes, monumentos. São Luís, berço de lendas, de contos e relatos fantásticos. São Luís, que projeta sua beleza por onde passa é, sem dúvidas, ainda o melhor lugar para vivermos.

A nossa querida São Luís foi fundada em 1612 pelos Franceses, comandados por Daniel de La Touche, com a finalidade de instituir a França Equinocial. Não eram somente os franceses que queriam se instalar na capital. Os holandeses também a invadiram e os portugueses a colonizaram. Com essa diversidade de cultura e de pensamentos nasceu o povo ludovicense.

Mas o charme de São Luís não se deve apenas à beleza e valor do seu patrimônio arquitetônico, riqueza da culinária ou tradição na literatura. É quase impossível não relacionar a imagem de São Luís ao reggae. Nos sobradões, a nossa capital pode até ser Portugal. Mas no ritmo, é Jamaica. Nos clubes, nas ruas e até nas praias a onda gostosa do reggae de radiola contagia a todas as camadas sociais.

Tudo começou quando o magnata Riba Macedo trouxe de Belém do Pará um disco importado e começou a detonar na sua radiola as maiores “pedras de responsa”. Delírio total. Ninguém conseguia ficar parado ao som das “pedradas” vindas daquele verdadeiro paredão de som. O reggae inicialmente reinava nas periferias e tinha por adeptos principais os negros. Hoje, é natural ver um “play” curtindo um reggae no volume máximo do seu “carango”. São Luís ainda conseguiu se caracterizar com um estilo próprio, a mania de dançar agarradinho, que virou marca registrada do regueiro ludovicense.

Definitivamente o reggae aportou em São Luís do Maranhão. Aqui é verdadeiramente a capital do reggae e o melhor lugar para aprender, amar e conviver. JE T’ AIME, São Luís!

Quem matou Aparecida

Sou Gullarmaníaca de carteirinha. Por isso disponibilizo aqui o cordel "Quem matou Aparecida", de Ferreira Gullar, um dos gigantes da nossa literaura. Confira!

Quem matou Aparecida
História de uma favelada que ateou fogo às vestes
(Ferreira Gullar-1962)

Aparecida, esta moça
cuja história vou contar,
não teve glória nem fama
de que se possa falar.
Não teve nome distinto:
criança brincou na lama,
fez-se moça sem ter cama,
nasceu na Praia do Pinto,
morreu no mesmo lugar.

Praia do Pinto é favela
que fica atrás do Leblon.
O povo que mora nela
é tão pobre quanto bom:
cozinha sem ter panela,
namora sem ter janela,
tem por escola a miséria
e a paciência por dom.

No dia que a paciência
do favelado acabar,
que ele ganhar consciência
para se unir e lutar,
seu filho terá comida
e escola para estudar.
Terá água, terá roupa,
terá casa pra morar.
No dia que o favelado
resolver se libertar.

Mas a nossa Aparecida
chegou cedo por demais,
por isso perdeu a vida
que ninguém lhe dará mais.
É sua história esquecida
de poucos meses atrás,
e essa vida perdida
de uma moça sem cartaz
que está aqui pra ser lida
porque nela está contida
a lição que aprenderás.

domingo, 23 de janeiro de 2011

Quando o sol da cultura está baixo, até os mais ínfimos seres emitem luz

Marcel Proust, grande escritor e exemplo máximo de uma vida dedicada unicamente à leitura e à literatura, disse em seus escritos “cada leitor, quando lê, é um leitor de si mesmo”. O que Proust evidencia nessa frase deixa em aberto uma série de interpretações que podem ser realizadas a partir do hábito entusiástico e não visto como uma obrigação, pela leitura. 

Estar em contato com o universo das palavras e nele encontrar uma atividade prazerosa, ao mesmo tempo que nos leva a absorver todo o conhecimento exterior, também nos conduz a uma busca de tudo que representa algo de nós mesmos nesse conhecimento que chega até nós. Em cada nova leitura, ocorre algo semelhante a uma lapidação de nossos desejos e predileções. 

Os livros constituem um tipo de transporte de conhecimento diferente da televisão por exemplo, onde as informações são transmitidas a todo o momento, e para tal, só precisa de nossa permissão para a passagem de suas imagens através de nosso córtex. O nível de saber que podemos extrair de um livro possui o mesmo limite de nossa vontade de fazê-lo. E, ao contrário das informações “prontas” da televisão, temos a total liberdade de interpretação, o que confere o aperfeiçoamento de nosso senso crítico e o melhoramento de como nos posicionamos diante do mundo. 

O hábito da leitura não possui caráter elitista e nem está associado ao poder aquisitivo. Em qualquer cidade, por menor que seja, há uma biblioteca, basta que tenhamos interesse em desvendar todo o mistério contido nela. Ao ler, nos tornamos mais cultos, mais seguros de nossas convicções, nos expressamos e escrevemos melhor. Medidas públicas devem ser realizadas para garantir essa acessibilidade e assim, seus respectivos países possam brilhar, iluminados pelo sol da cultura.

sexta-feira, 21 de janeiro de 2011

Delegacia virtual disponibiliza registros de ocorrências online

Furtos ou extravio de documentos, roubos de celulares e mapeamento de foragidos da justiça agora podem ser registrados virtualmente por meio da Delegacia Virtual da Polícia Civil. O serviço, disponível no endereço eletrônico www.delegaciaonline.ma.gov.br, foi implantado no Maranhão com o intuito de facilitar o acesso do cidadão ao serviço público.

Funcionamento
O usuário, após fazer o registro no site, receberá um documento confirmando a validação de sua ocorrência, gerando um boletim de ocorrência eletrônico com número, dados, e ocorrências do cidadão. O solicitante poderá acompanhar a resolução do registro, em casos de furto, diretamente com uma autoridade policial na delegacia de seu respectivo bairro ou num distrito situado no local da infração.

O serviço é gerenciado por atendentes treinados e capacitados para operar o sistema.

Fonte: Blog Oficial do Governo do MA (governoma.blogspot.com)

Pena de Morte: Você é a favor?

A pena de morte é um assunto que vem suscitando grandes polêmicas. Sua validade é discutida em todos os setores da sociedade, envolvendo presidentes, juristas e até o Papa. Essa polêmica já existe há séculos e nunca se chegou a uma unanimidade e talvez nunca se chegue. Muitas pessoas se posicionam contra ou a favor da pena de morte, mas não sabem justificar com exatidão a posição que assumem. O Blog Miscelânea quer saber a sua opinião. Aproveite o espaço para comentários.